Programa de rádio do reverendo Massari. Transmissão radiofônica em frequência modulada, pela OI fm. 2 horas com o reverendo e os "bons sons". Domingos, 22 horas, na OI fm






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White Denim – “Fits” (Full Time Hobby)

O Texas já tem pelo menos um representante garantido no listão de grandes lançamentos discográficos da safra 09. “Fits”, do trio de Austin White Denim, é uma pequena pérola do novo rock psicodélico, e suas qualidades transcendentes só reforçam as teorias conspiratórias que garantem que há algo de estranho na água do local. Bolachinha consistente, de rifferama articulada e visceral. E melodias estranhamente belas, encantadoras. Tem seus momentos quase hendrixianos e se insere na tradição dos estranhos conterrâneos Moving Sidewalks e Sir Douglas Quintet, mas definitivamente representa certo zeitgeist indie – de hibridismos quase inclassificáveis, para o bem e o mal. Em alguns momentos, dá para pensar no Mars Volta refazendo os primeiros discos do Flaming Lips.

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The Low Frequency in Stereo – “Futuro” (Rune Grammofon)

Trocadilho `a parte, dá para dizer que a etiqueta norueguesa Rune Grammofon é uma das mais “cool” do planeta, lembrando bem, por exemplo, a 4AD de alguns anos: a identificação gráfica é imediata (tudo com assinatura do boss Kim Hiorthoy) e o cardápio sônico marcadamente autoral. No caso da RG, bandas norueguesas “aventureiras”, que trabalham numa zona estética crepuscular e mezzo vanguardeira. Muita eletrônica de cientista maluco, estranhos elementos de jazz (quase sempre barulhento) e um certo tipo de metal experimental. “Futuro”, do quinteto The Low Frequency in Stereo, talvez seja o título mais ortodoxo, do ponto de vista “roqueiro”, já lançado pelo selo. Mas o gosto desse destilado continua peculiar. Algo como um Stereolab polar fazendo versões krautrock do seminal, legendário grupo local Motorpsycho.

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The Drones – “Havilah” (ATP Recordings)

No final dos 80, consegui conferir, ao vivo, no clube Rolling Stone de Milão, uma das mais cultuadas/criminosamente pouco lembradas bandas do rock australiano desde sempre. No auge do seu momento “undeground”, partindo para outras (relativas) ligas, o Died Pretty botou abaixo a casa com seu poderoso póspunk de matriz Velvet/Crazy Horse por via de tortas emoções do tipo Birthday Party. Nesse milênio, a responsa por essa tradição caseira de rock dilacerante fica por conta dos Drones, da fera Gareth Liddiard. As 10 faixas de “Havilah”, nas suas delicadas nuances e em todo esplendor do seu folkrock terminal, podem funcionar como batismo, iniciação no universo desses reais discípulos do pregador Nick Cave.

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Zu – “Carboniferous” (Ipecac Recordings)

“Carboniferous” marca a chegada do trio romano Zu `a etiqueta Ipecac, de Mike Patton – que comparece com voz e efeitos em 2 faixas. Contando também com participação ilustre de King “Melvins” Buzzo na guitarra, esse terceiro longa (vasta discografia com muitas parcerias) é, provavelmente, o mais completo já registrado pela explosiva e inusitada formação – sax, bateria (e efeitos) e baixo (cortesia do sensacional Massimo Pupillo). Retratos semi-improvisados e nada ortodoxos da instável tríplice fronteira sônica: jazz, metal e punk. Algo perigoso entre Melvins e John Zorn. Ou Black Flag e Peter Brötzmann.

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DJ Spooky – “Sound Unbound” (Sub Rosa)

Com o perdão da colocação quase impertinente, “Sound Unbound” traz o genial DJ/produtor/turntablist Paul D. Miller, mais conhecido como DJ Spooky, That Subliminal Kid, atacando de raposa no galinheiro da cultuada etiqueta belga Sub Rosa. Incrível viagem pelo precioso arquivo do selo, na levada transformadora de Spooky. São 45 despachos “alegóricos”, de tramas eletrônicas sutís, precisas, pós-triphop de autor com “vocais” reconfigurados de gente como Marcel Duchamp, James Joyce, Antonin Artaud, René Magritte, William Burroughs e… Caetano Veloso, recitando, com duplo remix de Bill Laswell/To Rococo Rot, poesia de Augustos(?) de Campos.

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Enablers – “Tundra” (Exile on Mainstream Records)

“Tundra” foi discretamente lançado em vinil no ano passado e ganha agora edição em CD. Não menos discreta: tiragem única de 1300 cópias com caprichado acabamento em madeira. Terceiro álbum da banda de São Francisco, gravado praticamente ao vivo com o poeta/vocalista Pete Simonelli explorando fisicamente o espaço do estúdio (em busca da energia dos palcos). Narrativas de poética beatnik/existencialista amparadas por trilhas híbridas de folk noir mezzo improvisado e um certo tipo simpático de pós-rock.

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Evil Madness – “Demoni Paradiso” (12 Tonar)

Na Islândia dos bons sons, são comuns as brincadeiras sônico-discográficas que dão certo mercadologicamente (coletânea “infantil” com ídolos da cena; a banda Bogomil Font, de ex-punks,  roubando certa cena com música lounge de corte bossanovista). A mais nova é de apelo cinematográfico e, apesar das graças conceituais, de resultados mais perigosos. No bom sentido.
“Demoni Paradiso” é o segundo disco dos “Traveling Wilburys” da Islândia (embora os integrantes superstars pertençam`as gerações digitais) e registra a exploração delirante de um certo universo de trilhas de cinema. Estranha jam eletrônica com elementos de Walter Carlos, John Carpenter, Tangerine Dream e Goblin.

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Caballero Reynaldo – “The Grand Kazoo – Unmatched vol.X” (Hall of Fame Records)

Vem da Espanha um dos mais curiosos e surpreendentes tributos discográficos já prestados a Frank Zappa. E não são poucos! Com a chancela da etiqueta valenciana Hall Of Fame Records, chega o décimo volume da coleção “Unmatched”, dedicada exclusivamente `a obra do “american composer”. Mas não se trata de mais uma coletânea, eventualmente irregular, de dezenas de bandas fazendo sua versão desse ou daquele Zappa. Para celebrar o expressivo décimo lançamento, o capitão do selo e craque multiinstrumentista Luis Gonzalez cravou mais um título certeiro da sua banda Caballero Reynaldo (ótimos registros “autorais” lançados pela HOF). “The Grand Kazoo” é sim um disco de Zappa revisitado, mas resulta absolutamente transcendente por conta da sintonia da banda com o material em questão e sua magnética, vibrante execução “conceitual”. São 20 clássicos devidamente enquadrados numa caprichada e delirante moldura country. Há realmente algo de estranho no ar desse saloon, no corte lounge-minimalista-psicodélico desse country e no acento marcado pela esquisitamente charmosa voz de Marieta Tamarit. Da marchinha quase sydbarretiana de “The Torture Never Stops” ao emocionante final com “Joe’s Garage” em levada didática e com “gran solo de piano a quatro manos”, uma viagem reveladora, com um Zappa como nunca ouvimos. Os “administradores” da obra de FZ costumam não gostar desse tipo de homenagem – como “mercado”. Que seja, nesse caso dá para arriscar que “The Grand Kazoo” faria fácil a cabeça do mestre de Baltimore.

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Radarmaker – “Drawn Like Spires” (Independente)

Estranhas emissões captadas de Perth, Austrália. Wendi Graham e comparsas de Radarmaker sinalizando com experiências pós-shoegazers e intenções psicodélicas de acidez minimalista. Curiosamente tudo começou em 2001 como “projeto” do tipo folk sem compromisso, mas o novo caminho já se anunciava no EP de estréia, “Aristocracy and the Horse”. No debute em longa duração, “Drawn Like Spires”, a confirmação da vocação viajante do quarteto.  Turnês com Múm e Explosions in the Sky e a promessa de que o próximo disco, que deve, deveria sair nesse ano, será uma pequena obra-prima. É esperar para ouvir.

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Hey Colossus – “Happy Birthday” (Riot Season)

Se depender do sexteto de “south fucking London”, eles continuam como segredo bem guardado do novo metal britânico (considerado aqui em suas instâncias mais extremas e pouco ortodoxas formalmente) e que se dane todo mundo. “Happy Birthday” chega com a chancela da perigosa etiqueta Riot Season e provoca consideraveis estragos. “War Crows” e “Are Coming To Kill You All”, por exemplo, promovem verdadeiro ataque aos sentidos, com seus infinitos muros (murros?) de feedback, rifferama acachapante de apelo doom e vocais rasgados e venenosos. Se o seu gosto é o das fortes emoções, do tipo Neurosis, Eyehategod, Minsk e Fudge Tunnel, pode ir tranquilo. Do contrário…

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